De mãe para mãe

 

De tempos em tempos meus filhos jogam na minha cabeça um balde de agua fria, daqueles bem cheios, que fazem você parar de respirar por alguns segundos, perder a visão e os sentidos…e quando vc volta a si, volta cheio de coragem e orgulho por ter aguentado.
O Tutu faz de forma sutil (ainda) porque fala poucas palavras compreensiveis, mas o Ale é especialista em baldes. Com a profundidade de um monge budista consegue as vezes despertar sentimentos diversos em mim, daqueles que vc nem sabia que existia. Algo parecido a exercitar um musculo que voce desconhecia a existencia
Neste fim de semana, em uma conversa dele com uma prima, ele singelamente sugeriu…na verdade não…ele afirmou com todas as silabas, acentos e pontos, que gostava mais da Vovó (minha mãe) do que de mim (mãe dele). Não foi dito em um momento de briga, bronca ou raiva – o que seria normal para um menino de 8 anos. Foi dito em um momento de descontração, calma (calma exterior aparentemente), ferias na praia.
Na hora, o balde de agua fria caiu em gotas cada vez mais grossas e foi ficando mais intenso até virar um cachoeira sem fim.
Quando recuperei a respiração, conversei com ele para saber o motivo. Ele calmamente manteve sua “opinião” e explicou que a vovó, quando vai visita-lo, sempre esta com muita saudade dele e do Tutu e que ela fica brincando com ele do que ele quer e faz só as comidas que ele gosta.
Nesse momento eu estava ja em prantos quando ele perguntou “vc esta chorando de emoção? Ou está chorando porque você acha que é uma má mãe?”….. Por dentro eu dizia: “como assim?????? Como posso ser uma má mãe, se chego em casa todo dias as 6:30, reviso a lição, janto com eles, cuido das tarefas da casa para que nada falte, ensino, converso, claro tambem brigo, disciplino, coloco limites…” Por fora, assumi que me senti uma má mãe….ele complementou ainda muito calmo. “Não precisa chorar, quando eu crescer eu vou gostar mais de você do que da vovó…”
Ele disse tudo isso e dentro do meu coração eu traduzi: “Mamãe, precisamos repensar a forma como vc me dá atenção…mesmo que seja 1 vez por semana (ou até menos)..quando for a hora de me dar atenção…que vc seja só minha” – minha visão simples e pratica depois de ter sobrevivido a este balde bem bem gelado. Sei que não é tão simples, mas aqui fica meu compromisso…
Tenho certeza que os filhos de vcs também tem um monte de baldes gelados para jogar…basta fechar os olhos e deixar a agua cair. Assim que vc perder a respiração aproveite para ouvir…!!

Bety Tichauer

Mãe do Ale, 8 e do Tutu, 1 – casada com o Manolo (mexicano), executiva de marketing, consultora sentimental, administradora de ajudantes do lar, fotografa (de coração, não de formação), amante de coisas práticas, amante de coisas tecnológicas e se forem práticas e tecnológicas melhor ainda.

Quer ler mais? Salto Alto de mãe para mãe  ou Salto Alto de mãe para mãe 2 ouSalto Alto de Mãe para mãe 3

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Escrito por

A paulistana Ana Claudia Marinho, arquiteta e mãe de três crianças pequenas, atualmente além de projetos residenciais, também se especializou em quartos infantis. Soube unir suas habilidades e interesses para criar o blog SALTO ALTO E MAMADEIRAS, e nele compartilha dicas de produtos infantis, decoração e tendências. Para quem quiser saber tudo sobre o lifestyle” pré e pós maternidade” com conteúdo descolado e moderno,encontrará aqui.

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